Disse também que se meus amores fossem recíprocos eu não seria mais um dom, não seria mais paixão, não seria mais romance, não seria mais amor, seria só mais um. Tentava, tentava, mas não me convencia; me enfurecia; me dava ódio; me fazia falar mais ainda.
Justificava cada erro seu com um semblante de tristeza e decepção consigo mesma. Fazia isso de propósito, eu sei, mas me ganhava em todas as tentativas, que eu não deixava transparecer. Mal bebía o que estava alí, agora, só ouvia.
Disse que se sentia mal, e disse que gostava de mim, que eu era maravilhoso. Disse que eu fora seu melhor, que era pra sempre e, por fim, disse que me amava.
Mal bebía o que estava alí, agora, só ouvia.
Eu, que sinto sono todos os dias depois das manhãs, talvez por já ter, ela, me roubado tantas horas de paz, me sinto quase que muito bem, pois mais do que eu pensava que amava, agora eu estou curtindo cada segundo desse tempo, estou gostando cada vez mais, estou me satisfazendo, estou feliz, estou amando, mais do que com o amor dos dicionários.
- Music:Samba da Benção - Vinícius
Nem dá pra dizer que vai tentar conhecer
E o que será que o mundo conhece da gente
Quando põe na nossa frente alguém tão diferente
E o que será que passa neste exato segundo
Na cabeça daquele que insiste em viver
O que será que ele tem, que nem a baiana é crente
E o que será que passa na cabeça da gente
Que diz que ele é louco porque pensa que é rei
E diz que sua casa é pequena demais
E diz que praia, campo, asfalto ou mato, tanto faz
E diz, e diz, e diz, e diz,
E deixa a vida pra trás
É do barro e do pó, é do ventre da mãe
É do bairro de pobre, é do vento é do chão
É do riso é do povo, é começo, é semente
É da casa da gente, é da calma e da mente
Não tem berço de ouro, não tem roupa de couro
Não tem vestes, tem corpo, não tem rosto, tem alma
Não tem medo, tem sonho, não tem sede, tem água
Não tem fogo, tem brasa, não tem sono, não tem nada
Que não valha a pena, nada que não vá servir
Não tem um dicionário não tem "NÃO" no vocabulário
Tem amigos e não tem ninguém, tem a deus e sua oração
Tem um dia a mais e o nome do tamanho do coração
Que bate, bate e bota a gente pra cima
Que bate forte nas ondas do mar
Que é quente e cala a boca dessa gente discrente
Que diz, e diz, e diz e deixa a vida passar
A bebida, pura, três pedrinhas de gelo
A fumaça, lixia!
A companhia, Tom e Vinícius
A nota, Si Maior, e muito sossego
Podia ser melhor, podia!
Confuso, sempre que posso
Com medo, quase nunca esqueço
Coragem, quase uma mania
Agora se tem rumo, se tem medo e coragem
Se fácil fosse, graça não haveria
Agora eu improviso, é cedo, mas tenho bagagem
Se me saciasse com pouco, dissimularia
Já é tarde, a poesia, cadenciada
A bebida, no fim, duas pedrinhas de gelo
A fumaça, branca!
A companhia, Miucha e Toquinho, mas Vinícius voltou
A nota, quase um dez
Quase uma dança!
Agora se tem paz, se tem amigos e ausências
Se solidão não houvesse, coitado do samba-canção
Agora eu sorrio, enobreço a tristeza e a carência
Se amasse e fosse amado, coitada da minha ilusão
Já dormi, sonhei pra acordar
A vida, cotidiana e prazerosa
A bebida, quente, sem gelo
A fumaça, redonda e desfórmica
A companhia, ainda presente,
Amigos, ausentes, e maravilhosamente perto
A fumaça, fina
A bebida, seca
A companhia se foi
Anota aí:
"E se não tivesse sofrer, e se não tivesse chorar,
melhor era tudo se acabar"
- Music:DVD musicalmente - toquinho, vinicius, tom e miucha
Quando estou com ela me falta ar
Quando penso nela, me falta tempo
Quando durmo pra esquecer, começo a sonhar
Quando sinto seu cheiro, dá vontade de rir
Quando não sinto, me sinto aliviar
Quando a vejo, tento correr até ela
Quando não vejo, deixo estar
Aí me dá coragem de ter medo e vice-versa
E de tanto anseio nem um santo e meio vai me animar
Me pego pensando no tom dessa conversa
E num sorriso dela, e eu já estou pronto pra dançar
Quando escrevo, me descrevo, sem nenhuma discrição
Quando leio, paro e penso em não parar
Quando tento lhe dizer, estou tentando a tentação
Quanto menos quero, te espero, sem notar
Quando estou sem ela a vida fica chata
Como um nó na garganta, não de ódio nem de dor
Como um vício prazeroso, que anima e não mata
Como um mundo cinza, sem cheiro e sem sabor
Como um vazio, sem espaço, sem idéias pra compor
Como a única palavra que sobrou pra rimar, que é-o-aparapapa o-aparapapa o-apapa
- Music:o-aparapapa
Quando eu morrer, também não me cremem, pois tenho medo de fogo
Quando eu morrer, não se esqueçam de mim, pois tenho medo da solidão
Quando eu morrer, não dramatizem uma cena com centenas de pessoas ao meu redor;
tenho medo da multidão
Quando eu morrer, não me enterrem, pois tenho medo da terra
Quando eu morrer, também não me tranquem num caixão, pois tenho medo de pouco espaço
Quando eu morrer, por favor não me matem, pois ainda assim quero viver
Quando eu morrer, façam de mim música, façam de mim poesia, façam o que ninguém faria;
pois só assim poderei morrer
Quando eu morrer, eu quero o vento, a brisa e a chuva, a chama e o sol
Quando eu morrer, eu quero estar só no meio de todos, quero ser leve, quero ser pó
Quando eu morrer eu quero voar, quero pular metros, dançar nos anéis de Saturno e na calda de um cometa, eu quero correr
Quando eu morrer, eu quero estar ébrio de lucidez e sóbrio de incertezas, cego para problemas e surdo para o silêncio;
pois só assim poderei viver e morrer e viver e morrer...
[...somente nestas condições]
- Music:Brincar de viver
Precisava de um banho, mas em respeito e admiração aos nossos amigos venezuelanos, vou hoje me poupar desta atividade, afinal não sou capaz de realizá-la com apenas 3 minutos. Amanhã tomo um banho de 6 minutos e aí sim vale a pena.
A dúvida bateu de novo. Será que vale a pena fazer de outra maneira? Abandonar a faculdade já começada e seguir somente atrás de um sonho?
A dúvida bateu de novo, e o que eu percebi é que ela é feito menino de 14 anos, não para de bater nunca, acabo de perceber também que esta é a pior comparação possível entre quaisquer duas coisas que se possa comparar.
Já que ela nunca vai parar, o jeito é fingir que se estabeleceu uma meta, que tenha prazos insignificantes de um mês, ou alguns anos. Fingir, pois o foco que traçamos pode ser alterado sem prévio aviso, pela vida, que está aí pronta pra foder com todo mundo, ou pra levar alguém ao mais alto ponto do pico do clímax do auge do apogeu.
Estou quase que completamente decidido a seguir com meus objetivos, só resta agora então: seguir pra saber se eles é que estão completamente decididos a seguirem comigo.
Que perseguição!
Ainda não me sinto como se estivesse matando as saudades, mas acho que caminho para isso. Até o último "ponto final" quem sabe!?
Último "ponto final": que coisa mais absurda né? Se o ponto é final, é óbvio que dever ser a última manifestação gráfica num monte de coisa escrita, não? Por que será, então, que há vários deles espalhados por aí, no MEIO; dos meus, dos seus e dos textos de todos? Será que o "ponto final" deveria se chamar "ponto intermediário"? Mais uma meia hora discutindo e a gente sai daqui com coisa bem pior que "ponto intermediário", pode acreditar!
Mas sem discutir, apenas levando esse conceito de "ponto final", penso se a nossa vida, ou sobrevida, pode ser comparada a uma redação? Poesia ou prosa, narrativa ou crônica, isso pouco importa, mas se nós estamos escrevendo-a, devemos então saber a hora de colocar o "ponto final"? Que seja então o "ponto intermediário", já que do outro jeito isso soa como um texto suicida.
Já estou farto de perguntas. Eu preciso de respostas. Mas ninguém as pode me dar. Quem sabe o que aqui? Ninguém sabe nada. E esse desamparo me faz tremer, me faz temer, me faz ficar estático diante da vida, esperando ela passar, como se eu não vivesse e apenas existisse, a monotonia me tomou conta, a preguiça me dominou, até vagabundo, penso que me chamam, embora acomodado seja mais frequente. Tenho medo. Um medo diferente. Não o medo da morte, mas o da vida. Não o medo das possibilidades, mas das impossibilidades. Medo do futuro presente de cada dia, e não do futuro pós hoje. Tenho uma coisa dentro de mim, que não pára e ao mesmo tempo não me deixa mover. Tenho dentro de mim coisa que não sei quê. Tenho dentro de mim um medo dessa coisa. Tenho dentro dessa coisa e dentro desse medo um EU, perdido em vida cinza, sem choro, sem riso, sem medo, sem nada.
- Music:o silêncio
Se eu tentar ver de outra maneira, adiantar
eu tentarei ver
se eu perder as estriberas, ajudar
eu vou perder, sem pensar
Se eu fizer mil caretas assim
e fugir sem me notar
seu eu quiser só o que é bom pra mim
se eu pensar em ganhar
sempre mais, e mais, ir além do que eu posso ver e sentir
ser capaz de correr e parar de chorar e sorrir
tudo de uma vez
Se nada vai mudar quando eu quiser
Que eu queira então não querer
Se nada que eu quiser vai acontecer
que seja o que tem que ser
Se por a caso o acaso vier
e eu não ter o que falar
deixe os meus casos de lado e se puder
me ajude a cantar
sempre mais, e mais, ir além do que eu posso ver e sentir
ser capaz de correr e parar de chorar e sorrir
tudo de uma vez
Calor forte de primavera
Sabor, sorte e tudo de bom
Amor, morte, coisas da terra
Rancor e um corte seco no som
Vento sopra quente demais
Sento à bordo da solidão
Feito um velho todo incapaz
E o tédio acalenta o coração
Quero colo, calo e não tenho
Sou merecedor do "alone"
Chego perto, e falo em silêncio
Estou tão certo do que não sou.
Corro e tento esquecer o sol
Peço frio e o frio já chegou
Morro, vivo, igual peixe no anzol
E nem alimento quem pescou
Poesia, um copo e uma canção
Maresia, não passa de recordação
Espero as horas irem por fim
Quero fugir pra bem longe de mim
Sabor forte de coisas da terra
Rancor, morte secos no chão
Amor, sorte de primavera
Calor dentro do coração
Amor forte todo na terra
Sabor de morte, nada de bom
Calor, sorte ou primavera
Rancor corta o coração
Rancor morto de baixo da terra
Calor corta o seco do bom
Amor, sorte e primavera
Sabor forte de uma paixão.
- Music:Pra continuar
Às vezes eu acordo estranho, com uma coisa ruim
Às vezes eu acordo passando mal, querendo vomitar
Às vezes eu acordo querendo não acordar